O espinho ainda dói

É ridículo, doloroso, agonizante e altamente problematizado se acostumar com a dor.
Se acostumar com algo te machucando constantemente, e não se engane quando eu digo "acostumar", porque não deixa de doer, pelo contrário, as vezes parece doer mais, gradativamente.
O pior disso tudo é quando o que te fere sabe onde dói, e mete o dedo na ferida.
Quando se tem certeza de que seu espinho é consciente, de que a intensão dele foi realmente essa.
Mas acho que realmente o pico de uma toxicidade, é quando além de passar por tudo isso, ainda assim se é dependente emocional de alguém.
Alguém que destrói tudo, desde as manhãs frias e aconchegantes, aos seus sonhos mais possíveis.
Destrói uma adolescência e traumatiza uma pessoa recém liberta no mundo.
Essa dependência te leva a apreciar e aceitar um carinho que na verdade não era destinado a você, e você sabia disso.
O tempo todo, você sabia, mas era oque você tinha, né? 
Era oque você podia ter...um milésimo do que você merece, mas dessa você também já sabia.
Sei que a maioria das pessoas passa por situações como essa pelo menos uma vez na vida, mas eu só queria que a minha vez não fosse tão cedo e tão lenta, apesar de isso também ser culpa minha.
Quando esse texto acabar, provávelmente eu vou pensar, pensar e pensar, sendo essa a coisa mais torturante a se fazer quando se sofre de ansiedade a esse nível, ainda mais sabendo que se dá ao espinho exatamente o que ele quer.
Eu só espero um dia chorar por um sentimento diferente, por alívio.
Espero me sentir livre novamente, mesmo que isso signifique estar em uma cadeira de balanço aos 70 anos com cabelo de algodão, um gato do colo e um chá na mão, ou estar vivendo ao lado de uma pessoa que me trás conforto, que apesar de não amar, não me faça sentir isso de novo.
Mesmo que isso signifique perder uma vida, que eu seja livre.

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